Passa a linha, bate o pente,
Passa linha, bate o pente,
Passa linha, bate o pente,
Troca a linha, passa linha bate o pente...
passa linha, bate o pente...
A jovem tecelã ajeita a franja, gira o pescoço e suspira. Anos e anos ali, trabalhando com cuidado, usando suas mãos delicadas para montar os finos tecidos usando por suas senhorias.
O pé bate o ritmo acelerado do tear, a tela de pinças sobe e desce em uma dança. Tudo para depois esse tecido ser riscado cortado e usado pelas grandes senhoras de pele quase transparente em seus longos vestidos vistosos e reluzentes.
Suspira.
Passa o fio, bate o pente....
O final do dia chega e com ele o trabalho da jovem artesã, parte pelo caminho de pedra em direção aquela casinha igual a tantas outras longe do agito da vida nobre, mas, perto o suficiente para ver as grandes luzes combaterem com as luzes das estrelas.
Ao chegar em casa enquanto come um pedaço de pão acende o toco de vela e caminha para um tear deveras mais simples que o usado para sua senhora, contudo sem duvida tendo um tecido de qualidade extremamente superior e ali passa horas no:
passa linha, bate o pente....
tempo insentido, tempo gasto com prazer e com um sorriso na face. Não importa que perde seus poucos momentos livres, não importa que ali gasta a pouca renda que lhe é permitida, ou mesmo que seus tecidos nunca poderão ser usado em locais de alta nobreza.

O que importa é trabalhar para si, e saber que na missa de domingo vestirá algo simples, mas feito por si e que daqui a anos quando o matrimonio chegar que terá o vestido como imagina. Sem bombas e circunstância mas com glórias. Pois o que se faz por amor nos completa.
Passa linha, bate o pente....

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